O Olhar Tem que Viajar – Por Caio Poletto

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Eu confesso que fiquei um tanto surpreso quando comecei a estudar um pouco mais sobre a mulher que falo hoje e que me deixa de boca aberta cada vez que leio uma de suas frases ou a vejo no inconfundível escritório de paredes de um vermelho tão vivo quanto sua vontade de ousar, criar e surpreender. E fiquei surpreso pois, cada vez que uma imagem de Diana Vreeland me vem à cabeça, ela está rindo, ou, o que é melhor, se divertindo. Mas, segundo as línguas – talvez não tão más, dizem! – Diana era de um temperamento irascível, capaz de demitir uma funcionária porque o barulho de seus saltos a incomodavam e tiravam sua concentração.

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diana-vreeland-caio-poletto-le-chodraui.comFato é que, a parisiense radicada em Nova York aprendeu como poucos a enxergar o belo, ou melhor, o interessante, no talvez considerado feio pela maioria das pessoas. Diana não era uma menina bonita e incontáveis vezes era comparada pela mãe à irmã, Alexandra. Sua mãe dizia que Diana, ao contrário de Alexandra, jamais conseguiria casar por causa da falta de beleza. “Pais podem ser terríveis”, disse certa vez em uma entrevista.

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Mas a auto estima de Diana ganhou força aos 21 anos, quando casou-se com o banqueiro Thomas Vreeland que a adorava, além de ser lindo. Com o marido, Diana mudou-se para Londres onde abriu em 1929 um negócio de lingerie, que a fez ficar conhecida pela sociedade londrina.

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Em 1936, a então diretora da Harper’s Bazaar, Carmel Snow, se encantou pela jovem exótica e nariguda, vestida de Chanel, que dançava nos salões do Hotel St Regis, em Nova York. Prontamente, a convidou para escrever a coluna “Why don’t you…”, em que Diana dava os mais loucos conselhos de estilo de vida em uma época que o mundo sofria com a ascensão de Hitler. “Por que você não pinta o mapa mundi na parede do quarto dos seus filhos, para que eles tenham uma visão menos provinciana do mundo”? Luxo.

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Mudando-se novamente para Nova York, Diana se tornou em pouco tempo a editora da revista, transformando-a em um compilado de moda, arte e  entretenimento, deixando para trás o conceito de “revista de dondoca”. Em 1947, fotografou uma modelo de biquíni, deixando meio mundo horrorizado! Ainda na “Bazaar”, turbinou a carreira de Twiggy, Anjelica Huston, Veruschka e de Richard Avedon, fotógrafo genial e seu grande amigo.

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No começo da década de 50, com a saída de Carmel e descontente com o convite para se tornar editora chefe com um aumento de mil dólares, Diana aceita o convite para ser editora chefe da Vogue América, voando ainda mais alto. A editora não poupava dinheiro para mandar sua equipe aos mais exóticos destinos  fazendo as mais incríveis produções. Tornou-se amiga de Jackie O, Warhol e se acabava com a trupe no Studio 54.

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Enjoada de tantas novas tendências, a diretoria da Vogue a demitiu em 1971 e Diana Vreeland, aos 71 anos, torna-se curadora do instituto de vestuário do Metropolitan Museum, onde organizou as mostras de roupas e grifes mais sensacionais jamais antes vistas. Uma exposição de Balenciaga ou YSL não era apenas um monte de peças expostas, mas a interpretação da moda no costume de um época.

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 A autora de frases impagáveis como “o biquíni foi a mais importante invenção do século, depois da bomba atômica” e “para tornar-se um ícone de estilo, providencie nascer em Paris, já é meio caminho andado”, morreu 1989 praticamente cega, na companhia do amigo André Leon-Talley, que hoje trabalha como editor-adjunto de outra lenda da moda, Anna Wintour.

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Talvez a primeira “diaba que vestia Prada”, a história de Diana está eternizada em diversas biografias e no filme dirigido e lançado por seu neto Alexander, intitulado “The Eye Has To Travel”, hoje já cultuado como hit entre os fashionistas.

Imagens: Reprodução

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